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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

25.Jul.17

Viver sem reconhecer caras...

Um dos livros que li recentemente [e sobre o qual escrevi aqui] conta a história de um jovem rapaz que sofre de prosopagnosia. Sim, também tive de repetir mentalmente e muito devagar: pro-so-pa-gno-sia. Nunca tinha ouvido tal palavrão. O livro fala desta doença de uma forma muito geral, sem entrar em grandes detalhes, aplicando-a na prática [no dia-a-dia de Jack, a personagem que se vê obrigada a viver com esta doença]. Fui à internet e fiquei espantada com a quantidade de informação [alguma certamente mais verdadeira que outra] que encontrei. Desconhecia completamente a prosopagnosia que é [muito sucintamente] a incapacidade de reconhecer rostos. Estranho, muito estranho. A determinada altura do livro, o Jack chega mesmo a comparar esta doença à cegueira, mas para caras. É uma doença que existe, contudo [mesmo depois de ter lido algumas coisas sobre o assunto] ainda hoje me parece totalmente irreal. Como é que não reconhecemos as caras das pessoas com quem vivemos? Como é que não nos lembramos da cara dos nossos próprios pais? Como é que num momento estamos a relacionar-nos com uma pessoa e, se ela virar a cara, no momento a seguir já não a reconhecemos? Faz-me alguma confusão, confesso. Nem sequer consigo imaginar como é viver assim porque, quando pensamos numa pessoa, a primeira coisa que nos vem à mente é a imagem do rosto dessa pessoa. Não conheço [que eu saiba] ninguém que sofra de prosopagnosia, mas não deve ser nada fácil viver num mundo onde não reconhecemos uma única cara. A prosopagnosia não tem cura, no entanto [tal como acontece com outras doenças] são encontradas formas de melhorar a vida dos doentes. Neste caso em particular, a melhor forma de lidar com a doença é utilizar técnicas que nos pemitam distinguir as pessoas. O Jack [que vivia a doença em segredo, sem contar à própria família] descreve as pessoas cada vez que as vê e define, para cada uma, uma característica física que tem como referência para, da próxima vez, poder identificá-la mais facilmente apesar de não a reconhecer através do rosto [aquilo que mais nos define]. O livro tem esse lado interessante na medida em que a personagem, sempre que se cruza com outra personagem, descreve-a e só assim a identifica. Deste lado, começamos nós também, como leitores, a reconhecer as personagens por determinadas características físicas que lhe são particulares. Entre algumas das pesquisas que fiz na internet sobre o tema, encontrei testes que qualquer um de nós pode fazer para verificar se é portador de prosopagnosia [chegam lá rapidamente, basta pesquisarem sobre o assunto]. Era uma doença que desconhecia. Nunca antes tinha ouvido falar sobre prosopagnosia e chamou-me a atenção. Talvez não seja a única, talvez já pudesse ter ajudado alguém, talvez vos possa alertar agora a vocês. Já conheciam esta doença? Conhecem alguém que viva [não dela mas] com ela? 

 

E, de repente, os problemas que tenho [que às vezes gosto de inventar, porque todos gostamos de inventar problemas] reduzem-se a nada [absolutamete nada] ao lado dos problemas de alguém que não reconhece uma única cara ao longo da sua vida...

 

Carol

 

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