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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

15.Jul.19

Uma estagiária à janela

Gosto de encontrar nas janelas todas as metáforas que se desenham para lá dos vidros. É reconfortante saber que esse "para lá" está sempre nas mãos de quem está do lado de cá. E não há nada como ter presente que existem outras saídas, que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela. Estou a estagiar há quase dois meses. Neste período de tempo [mais coisa menos coisa] conclui a licenciatura [uns dias depois de ter escrito este último post]. É verdade - sou, oficialmente, uma pessoa licenciada. Ainda estou a assimilar o verdadeiro significado dessa frase, de um predicado que veio para ficar, depois de três anos a abrir cortinas e a procurar [de longe, mas cada vez mais perto] o melhor lugar como destino. 

 

Já atualizei esta minha mais recente "condição" no meu curriculum vitae [mais ou menos como as pessoas faziam, em tempos, no facebook, quando ainda o consideravam uma janela para o mundo]. Mas ainda permito que os não-fazer-nada sejam interrompidos por a-sério-digam-me-o-que-é-que-eu-tenho-para-fazer [juro que não é um trauma, gosto mais de lhe chamar "força do hábito"]. Acho que permanece em nós uma sensação estranha quando, habituados a uma paisagem, a deixamos de ver, de repente, apenas porque baixámos os estores, e mesmo sabendo que há sempre a possibilidade de abrir a janela e regressar aos sons, aos cheiros e, num momento mais atrevido, se tentarmos espreitar, até às cores, que reconhecemos tão bem. No fundo, as boas memórias são janelas que podemos [e gostamos] de abrir sempre que nos apetecer. 

 

Porém, mudar o cenário também é preciso. E há portas que se abrem para nos mostrarem que os caminhos não só se veem como também se percorrem. Depois de três anos sentada num parapeito [mais alto do que todos aqueles em que estivera antes], mal precisei de espreitar através do olho mágico da porta para saber que estava na altura de conhecer novas saídas. Estou a estagiar há quase dois meses. Neste período de tempo, para além de ter terminado a licenciatura, tenho tido a sorte de viver uma experiência enriquecedora a vários níveis. Senti que precisava de dar este salto. E tive a liberdade de o dar como [e porque] quis. O que nunca nos dizem é que à janela ninguém está só. Reconheço que sou uma sortuda por ter um parapeito tão bem frequentado, quer por aqueles que aqui se sentam comigo com as pernas a baloiçar, quer por aqueles que me acenam de longe enquanto me inclino, apoiada nos cotovelos, para os distinguir melhor.

 

Recordam-se dos momentos de não-fazer-nada de que vos falava há pouco? Não têm sido assim tantos ultimamente. A verdade é que sair pela porta implica outro ritmo [afinal de contas este é o meu primeiro passo a sério no mundo dos crescidos]. Acabaram-se as férias grandes e as combinações com amigos à última da hora. É difícil conciliar horários e até estar no sofá sem adormecer se tornou numa tarefa impossível. Ver temporadas completas de séries num dia é para esquecer [mas esperem só até estrear La Casa de Papel!] e os filmes passaram a ser vistos por partes [e ao longo de vários dias]. Mas estagiar está a ser muito mais do todas essas coisas através das quais nos vemos na vida [aliás, não está a ser mesmo nada disso].

 

E eu estou bem. E vejo que por aqui está tudo ainda melhor [continuo atenta, mesmo quando passo mais despercebida]. O it's carol, mais do que qualquer janela ou porta, é o meu olhar sobre o mundo refletido neste universo digital. Ultimamente, tenho dormitado mais do que julgara ser necessário, desfrutando do silêncio do repouso e da agitação de uma experiência completamente nova. Mas este é irmão deste e já estava na hora de voltar. Nem que seja para relembrar como gosto de encontrar nas janelas todas as metáforas que se desenham para lá dos vidros. E o que eu ainda não tinha percebido era que as metáforas se multiplicavam em janelas sobre rodas [é a vida a acontecer!].

 

Tenho passado muito tempo a conhecer novos cenários para já saber que as portas sempre se abrem para concretizarem as figuras de estilo. E, sejamos honestos, não há nada que um regresso ao parapeito não resolva. 

 

Carol

 

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