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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

24.Ago.19

"Primeiro" verão na cidade

Também há verão na cidade. Há o som das rotinas e o aroma da familiaridade de quem está a dois passos de casa. O despertador aproveita-se e, só para não ser desmancha prazeres, faz questão de continuar a tocar bem cedo. Mas sorrimos para ele, com mais esforço do que gostamos de admitir, porque queremos acreditar que aqueles bips desenfreados são uma qualquer música latina que toca no bar da praia em que ainda nem sequer pusemos os pés. Se o instagram bronzeasse, nem a vizinhança mais amigável nos reconheceria. 

 

No verão a vida também acontece na cidade. E somos - todos aqueles que não fogem à primeira oportunidade - a prova disso. A par com as famílias de turistas que, de mapa na mão, nos acompanha no metro, exibindo rostos com cores tão vivas que nos fazem agradecer, entre dentes, a falta de oportunidade para apanhar sol que temos tido. Ainda assim, há uma parte de nós - veraneantes citadinos por obrigação e dever - que inveja estar tão perdido como os estrangeiros que abandonam o metro em matilha, na estação Baixa-Chiado, para comer um Santini e passear pela Praça do Comércio. Dá até vontade de sair na estação errada e ligar o Google Maps, só para, por dois segundos que seja, encarnarmos a personagem e mostrarmos o nosso melhor lado desonrientado-estou-longe-de-casa. 

 

As altas temperaturas também se fazem sentir na cidade, mesmo que este ano o verão e o termómetro estejam a ultrapassar uma crise na sua duradoura relação. Aqui a vida continua. Uns dias mais igual, outros nem por isso. E é inegável que o verbo dá espaço para o calor ganhar algum lugar. De chinelos enfiados nos pés brancos, as pessoas passeiam-se nas ruas, combinam encontros em esplanadas atoladas de tantas outras que, como elas, fazem questão de mostrar o bronze-de-fim-de-semana. Na cidade, o verão 'continua' o resto do ano. Não o interrompe, não o coloca em pausa, nem perde o ritmo. E, embora aligeire a sensação de que no dia seguinte toda a rotina se repetirá, não impede que cada um desfrute das suas parcelas calorosas deixadas por aí, a cada esquina. Afinal, estamos perto de casa. E não há lugar nenhum que nos ofereça melhor a sensação de estarmos na nossa praia. 

 

Gostei de ti, verão-na-cidade. Passei por ti, pela primeira vez, a trabalhar. Agora, espero que não te ofendas, mas é altura de escapar por uns dias e sentir-te em pleno, de chinelos nos pés e cabelos molhados, num lugar onde o metro não chega e onde nem os turistas sonham que podem aperfeiçoar aquele tom rosado, pouco ou nada invejado por nós. Em setembro estou de volta, e na volta ainda me junto a uma família de Camones para gozar os três meses de férias a que sempre tive direito. Quanto a vocês, veraneantes citadinos por obrigação e dever, tenho-vos no coração. 

 

Carol

 

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