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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

08.Out.18

Praça Paris: Onde o medo e a paranoia se reúnem

PraçaParis.jpg

 

Não havia como não partilhar esta sugestão convosco, quase em jeito de aviso. Um retrato da atualidade, feito de uma forma tão nua e crua que é impossível sair indiferente da sala de cinema. Praça Paris, uma coprodução entre Brasil, Portugal e Argentina, está agora em algumas salas de cinema do nosso país. A história de duas pessoas que vivem duas realidades totalmente diferentes. Tudo ganha um novo rumo quando Camila e Glória se sentam frente a frente e as suas vidas, até então tão distantes, acabam por se misturar numa "quase vida paralela" [é assim que a interpreto]. O medo e a paranoia do medo transformam as pessoas, tornando-as racistas, colocando sentidos perversos em tudo o que as rodeia. Creio que, para quem só conhece o Brasil à distância de um ecrã ou da página de um jornal, Praça Paris ilustra tudo aquilo que vemos e lemos por aí. Violência é a palavra de ordem. E o filme consegue-a não só de uma forma explicita como também através da própria realização. Para lá do que se vê, o espectador consegue sentir-se atingido pela maneira como a história lhe é contada.

 

 

O thriller, de Lucia Murat, tem como protagonistas as atrizes Joana de Verona e Grace Passô. Interpretações exímias. Acompanho o trabalho da Joana por ser uma das artistas [ponham os olhos nela e percebam o que quero dizer com "artista"] que mais gosto da sua geração e foi através dela que cheguei a este filme. Acredito piamente que temos um país repleto de talentos nas mais diversas áreas. Infelizmente, nem sempre sabemos reconhecê-los ou dar-lhes o devido mérito. A Joana de Verona, com 28 anos, tem uma carreira admirável e que, mais do que números, nomeações e prémios, reflete uma vontade imensa de lutar por aquilo em que se acredita, por aquilo que se gosta, por aquilo que [mesmo que pouco reconhecido por outros] é o que nos enche as medidas. Sou suspeita [porque sou fã], ainda assim, isso não invalida o facto de perceber que ninguém vestiria tão bem a pele da Camila. Quem eu não conhecia, mas felizmente passei a conhecer, era Grace Passô. A força da sua personagem está nos mais pequenos detalhes. Que interpretação brilhante. Balançamos durante todo o filme sobre o que está certo ou errado. Questionamo-nos sobre que faríamos nós se estivéssemos no seu lugar até percebermos que, mais do que ficção, a história daquela mulher é a realidade de tantas pessoas. 

 

Lamento que nem sempre tenhamos oportunidade de ver o que é feito por talentos que nos são tão próximos. Desta vez, não é por falta de conhecimento que podem falhar Praça Paris. O filme está em exibição nos Cinema City de Alvalade, Alegro Setúbal e Leiria [todas as informações aqui]. 

 

[Fotografias retiradas do facebook "Praça Paris - Filme"] 

 

Não é um filme que se vê enquanto se trocam mensagens no whatsapp. Não é um filme que se vê para passar tempo. E também não é um filme que se quer rever imediatamente. É diferente. É mais. É uma experiência. E o cinema é tanto quando consegue ser muito mais do que o grande ecrã e uma sala com pessoas.

 

Não posso deixar de agradecer à Cecília Mateus pelo convite para a antestreia. Estas oportunidades proporcionam sempre momentos felizes. Muito obrigada!

Vejam Praça Paris e depois partilhem as vossas opiniões comigo,

 

Carol

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