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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

13.Jan.20

Por um 2020 bem passado

Onde é que já não estão as doze uvas passas [passadas, provavelmente!]. Por esta altura, já ninguém sequer se lembra das promessas com que brindou ao início do ano vinte vinte. E – entre os números das passas, dos desejos pedidos, dos sonhos por concretizar, dos anos que já passaram e dos que estão para chegar – o mês que se quer inteiro, com tudo e tanto, vai quase na medíocre metade de si. Afinal, nem nós nos descobrimos diferentes, nem 2020 é um ano assim tão futurista como os filmes de há décadas faziam parecer. Muito pelo contrário.

 

O ano começou e já estamos a fazer contas à vida, sem termos em conta as doze passas de que usufruimos. Tudo o que a televisão nos mostra é que, de facto, já ninguém quer saber de meia dúzia de uvas desidratadas que deixam as mãos pegajosas no calor do momento. Podemos começar a preparar as resoluções para 2021, que, até agora, tudo o que temos dado a janeiro são telejornais com cenários aterrorizadores. Quais trailers de grandes produções de Hollywood sobre realidades utópicas, governadas por pessoas que tomam decisões impensáveis e habitadas por outras tantas que ainda não perceberam bem qual o seu papel. É assustador perceber que toda esta utopia é o presente em que vivemos. E todos querem saber, mas ninguém se importa realmente.

 

Aviso já que, se janeiro for o mês das tentativas, prefiro saltar já para um fevereiro em que tenhamos memória suficiente para recordar todas as frases feitas que ouvimos e dissemos mesmo antes de arrumar para sempre o calendário gasto em que couberam os últimos meses. O que é feito dessas pessoas mais presentes, pacientes e prestáveis que prometeram ser? O que é feito dessas idas regulares ao ginásio? O que é feito do grito “este ano é o ano”? E, não sei quanto a vocês, mas o que é feito dos dias produtivos de estudo? [ups!]

 

As doze passas – ou o que quer que tenham assumido como tal para o efeito – já lá vão há quase quinze dias. Talvez os desejos se tenham perdido nesta matemática da nova década. Talvez esta coisa de termos medidas para tudo, nos impeça de dar o litro logo desde o princípio. Há sempre muito por fazer, muitas mudanças à espera do primeiro empurrão. Já sabemos que, muitas vezes, o mais difícil é começar. Talvez seja por isso que começamos os anos ocupados a mastigar promessas de memória curta, distraídos dos novos “eu” em que desejamos tornar-nos.

 

Quando queremos, somos bons a fazer o bem. E eu até compreendo que não seja fácil decorar doze desejos [quem sou eu, orgulhosa da memória de Dory que carrego comigo, para criticar], mas deve ter havido um ou outro que retiveram. Vamos lá avivar essas memórias, que ainda há duas semanas o instagram era um poço de desejos repetidos e clichês que hoje já não dão likes.

 

Não se passem com 2020. Nem tenham cuidado com o que desejam. Só não se esqueçam de tentar ser cumpridores.

 

Carol

 

Por um 2020 bem passado.JPG

 

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