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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

22.Out.18

Pedro e Inês - uma história de amor com um fuso horário diferente

 

PedroEInês.jpg

 

Com o jet lag certo, que a estreia já foi a semana passada [e eu não quis perder o voo], era mais do que a minha obrigação partilhar convosco o filme: Pedro e Inês. Andava há muito tempo para vos falar sobre o livro A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria, agora adaptado ao grande ecrã. Comprei-o, ainda na versão "de bolso", assim que soube que o filme ia acontecer com este elenco. Tornou-se numa das minhas leituras preferidas. Já o li, reli e voltei a ler [foi uma descoberta daquelas!].

 

 

Aberto o jogo, falar-vos-ei sobre os dois formatos desta tão conhecida história [será?] que, acreditem, vos troca as voltas e se conta de uma forma bastante peculiar. Pedro e Inês é o amor em três tempos: passado, presente e futuro. Eu não quero dizer mais nada, mas se calhar não a conhecem assim tão bem. O que é isso do destino? Será possível a vida seguir a mesma sucessão de acontecimentos em contextos temporais e espaciais tão díspares? O amor não devia juntar as pessoas ao invés de ditar o seu desfecho? Seremos todos normais por sermos tão loucos? Não seria melhor aproveitarmos a loucura que nos toca em vez de a tentarmos perder?

Demasiadas perguntas? Talvez. Todas puxadas por esta história insana de tão boa que é. Não tenho respostas, nem preciso. Tudo se trata da interpretação que fazemos. E se há interpretação bem feita é a de Diogo Amaral, o D. Pedro de 2018 [e de outros três tempos]. A personagem corresponde exatamente à imagem que criei quando li o livro. Sem dúvida, um aplauso gigante para o Diogo. O restante elenco também está de parabéns: Joana de Verona, Vera Kolodzig, Custódia Gallego, João Lagarto, Miguel Monteiro, Cristóvão Campos e tantos outros. Esta história não se fazia só com D. Pedro. Aliás, esta história tem de ser a partilha que é, porque os seus principais pilares estão nas relações entre as personagens. Congratulo ainda o realizador António Ferreira, e todas as pessoas que "cabem" na produção de Pedro e Inês. Acima de tudo, a todos os envolvidos, fica o meu muito obrigada, por fazerem cinema português, por darem de si a uma arte que no nosso país tantas vezes passa despercebida e por acreditarem que, mesmo com poucos apoios e com o risco de não ter assim tanto público, o que se faz por cá vale muito mais do que números. Aplaudo de pé, todos eles. 

 

« ninguém morreu, nunca ninguém morre, só quem nós matamos na memória, no pensamento e no coração »

- Rosa Lobato Faria, A Trança de Inês

 

Vão ao cinema e vejam Pedro e Inês. Não, não é uma seca. Não, não é um filme de época. É passado, presente e futuro. Tem tudo e muito mais do que qualquer outro filme produzido lá fora. Cada vez mais, as produções portuguesas se aproximam de sucessos com impacto internacional. Se há frase que não me canso de repetir é esta, temos de ser nós, portugueses, os primeiros a acreditar na potencialidade da nossa arte. Aproveitem a Festa do Cinema, de 22 a 24 de outubro, com bilhetes a 2,50€ e não percam a oportunidade de ver este filme. As adaptações dos livros ficam muitas vezes aquém das expectativas, no entanto, neste caso, senti que, ainda com algumas nuances, faz jus ao livro e isso deixou-me mesmo feliz. O essencial está lá. Se gostarem de ler, fica a minha sincera sugestão. 

 

Não há ponteiro que saia indiferente do cinema. Ainda não acertei o relógio porque estou a pensar voltar,

 

Carol

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