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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

11.Mai.18

Há que saber conjugar a fuga

Podíamos fugir. Podíamos procurar outro lugar. Podíamos deixar para trás o que não nos faz andar para a frente. Podíamos marcar uma hora. Podíamos combinar um dia. Podíamos desorganizar tudo isto. Podíamos mandar roupa leve e o calçado confortável para dentro de uma mala. Podíamos pôr a mala às costas e correr. Podíamos ouvir música e cantar por cima. Podíamos dançar sem tropeçar nos pés descoordenados. Podíamos aproveitar os pés descalços e marcar pegadas por aí. Podíamos escapar às regras e cumprir deveres. Podíamos aproveitar a liberdade e o mundo. Podíamos pisar as poças, saltar de traço branco em traço branco nas passadeiras. Podíamos sair da estrada e caminhar pela relva. Podíamos explorar ruínas, subir castelos e descansar em rochedos. Podíamos ir ver o mar de manhã ou ao final do dia. Podíamos habitar. Podíamos habituar o corpo e a alma. Podíamos viver na adrenalina da fuga. Podíamos partir sem deixar recados. Podíamos fugir. Mas, primeiro que tudo, podíamos deixar de fora o pretérito imperfeito do indicativo do verbo poder. Que é imperfeito para fugas e não se conjuga com mentes sonhadoras. E há mais poder nos verbos que não o têm como antecedente. Se podemos, fazemos. Ou imaginamos. Se podemos, vamos mais longe. Fugimos. Que as questões gramaticais complicam a prática e os tempos verbais têm um fuso horário diferente. Fugimos. Na terceira pessoa do plural e no presente. Para que ninguém falte e ninguém se atrase. O português é livre de espírito e de gramáticas opressoras. Fugimos pois. 

 

Mas fujam primeiro os verbos que só verbalizam e não concretizam.

 

Carol 

 

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