Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

01.Out.18

Excesso de felicidade?

Há felicidade a mais. Em cada fotografia partilhada, em cada frase feita e reutilizada vezes sem conta. Por essas redes sociais sociais fora criou-se um novo conceito para a palavra "felicidade". Escondemo-nos atrás de um ecrã iluminado para seguirmos pessoas. Somos seguidores, pessoas transformadas em folhas de excel, cuja maior importância está nos números. Vivemos em função da tendência. Fico satisfeita por saber que tendemos a querer ser felizes. Essa não é a questão. A felicidade é algo individual, que mais ninguém pode sentir por nós. Não tem livro de instruções nem GPS que nos indique o caminho. É destino que não sabemos como chegar, percurso com atalhos surpreendentes. E, como muito do que surge nas bocas do mundo, está a ser consumida por uma banalidade que não lhe pertence. Existem dicas sobre como ser feliz, como atingir a felicidade. Não aceito isso. Não é assim tão simples. Essa "felicidade", de que todos falam agora, é nova. Aconselha-se, ensina-se e pratica-se. Compreendo que nos faça sentir melhor essa capacidade de conseguir classificar o nosso nível de bem-estar, como pontuamos um filme no IMDb ou um restaurante no TripAdvisor. Reconheço até uma tentativa de sermos mais uns para os outros. Mas existe neste novo conceito uma partilha diferente que começa precisamente no momento em que sentimos necessidade de partilhar porque corremos o risco de não sermos tão felizes se os outros não souberem que é assim que nos sentimos. Como se precisássemos da confirmação dos outros para percebermos que estamos bem, mesmo bem. Não é assim que funciona. Aliás, é na ausência de um funcionamento concreto que está a felicidade antiga. Uma felicidade que não atingimos, mas sim que nos atinge. Que também pode ser partilhada, mas apenas porque é resultado de uma partilha e não construida a pensar nessa finalidade. 

 

Sinceramente, gosto de ver pessoas felizes no ecrã do meu telemóvel. Não há nada de mal nessa felicidade. Até deixar de ser o que é só para caber numa fotografia ou numa descrição. E há algo a mais nesta coisa de querer ser feliz para mostrar como se consegue e como se faz. Algo que não chega nem perto daquilo que sentimos quando estamos tão bem que nem sequer nos lembramos de publicar, não concordam?

 

Carol

 

18E7BF3E-D0CF-4189-A478-0BAAB0100753.JPG

 

8 comentários

Comentar post