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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

07.Set.18

Às páginas tantas [#8]

Assisti ao filme Guia Para Um Final Feliz antes de ler o livro que lhe deu origem. Apesar da sua estreia ter sido em 2012, descobri-o há uns meses na televisão e no entretanto já perdi a conta às vezes que o vi [e revi, sem nunca me fartar]. Fez parte de uma das sugestões que partilhei aqui, por se ter tornado num dos meus filmes preferidos. Na altura, lembro-me de ter recebido um comentário a dizer que o livro era muito melhor. Por norma, acho os livros sempre melhores do que os filmes, devido a todos os detalhes que a escrita permite e que não têm lugar na duração limitada de uma obra cinematográfica. Se gosto tanto do filme, só poderei adorar o livro, pensei para comigo. 

 

 

Assim, Guia Para Um Final Feliz foi um dos primeiros livros que li nestas férias de verão. Muito sucintamente, a história baseia-se na vida de Pat após a sua saída de uma instituição psiquiátrica, no seu regresso a casa e, consequentemente, à relação com a família, ao passado esquecido e, principalmente, à obsessão pela ex-mulher, Nikki. Para o protagonista, tudo aquilo é, supostamente, um regresso à normalidade. Algo que esta narrativa pouco tem. Contada na primeira pessoa pelo próprio, deparamo-nos com a fixação de Pat em contactar Nikki vincada em todos os seus atos. Divertida, dramática, louca e, notavelmente, bem contada, esta história faz-nos acreditar que o normal não existe ou que o ser-se normal não significa nada quando a vida nos troca as voltas. É a viver dentro da sua loucura, num mundo louco o suficiente, que Pat encontrará o seu caminho. Dele farão parte memórias aterradoras, corridas dentro de sacos do lixo, comprimidos de cores variadas, nuvens e a problemática Tiffany, que consegue revirar ainda mais os dias de Pat. É um livro, literalmente, delirante. De repente, estamos na cabeça de um homem que vive sofregamente com [e para] uma obsessão. Partilhamos os seus momentos de delírio e, a determinada altura, até compreendemos e apoiamos as suas lógicas infantis. Este foi um dos fatores que me prendeu à leitura.

Percebi imediatamente que o livro e o filme se distanciam bastante. A abordagem é totalmente diferente e a história, partilhando o mesmo ponto de partida, segue rumos distintos. Todavia, o filme continua a ocupar um lugar especial no coração desta espectadora. Para mim, o elenco foi escolhido a dedo e as cenas interpretadas por Bradley Cooper (o obsessivo compulsivo Pat) e Jennifer Lawrence (a louca da Tiffany) são para lá de hilariantes. Guia Para Um Final Feliz valeu aos atores vários prémios, incluindo o Óscar de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Ainda assim, o livro também tem loucura na dose certa para me fazer querer ler tudo de novo. Conclusão, gosto tanto dos dois formatos que passei a considerar pertencerem a histórias diferentes. E as mensagens transmitidas, essas, quer em livro ou em filme, são para manter por perto para nos lembrarmos que a vida também merece ser vivida com uma boa pitada de insanidade.

 

Às páginas tantas, este é um guia que nos mostra a importância que saber recomeçar tem nos finais felizes [e doidos] que conseguimos construir.

 

Carol

 

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[para verem as minhas sugestões de leitura anteriores basta clicarem aqui!]