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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

07.Jan.19

La La Land é uma lista de resoluções de ano novo

No dia de ano novo a RTP transmitiu o filme La La Land. Sim, comecei 2019 a [re]ver um filme de 2017 [que mal tem isso?]. Como é óbvio porque sou muito fraca tenho ouvido, desde então, a banda sonora em loop. Entre músicas, li, por essas redes sociais, muitos posts com [as mesmas] resoluções para 2019. E percebi que o filme poderia muito bem ser um filme de ano novo, porque, efetivamente, contém as promessas que repetimos ano após ano. Não sei se já se tinham apercebido disto antes. Qual homenagem a Hollywood ou ao cinema, qual quê! La La Land é a típica lista de resoluções de ano novo, mas com som [mais ou menos como aqueles postais de aniversário que abrimos e têm música].

 

Comprovem por vocês mesmos:

 

1. Perder peso. Esta resolução é bem explícita e com uma concretização quase inevitável. Já imaginaram o que seria dançar assim a toda a hora e todos os dias? Estou mesmo a ver: as manhãs parada no trânsito para a Ponte 25 de Abril passariam a ser uma animação com todos condutores bem dispostos a dançarem entre os carros que nem loucos. Para quê ir ao ginásio quando se faz tudo a dançar? Assim, eu até percebo o significado da frase "o desporto faz-te mais feliz". Há alguma personagem no filme que dance e pareça triste?

2. Aprender uma coisa nova. A dança pode ser um exemplo. Contudo, não se esqueçam do canto, por favor. Junta-se o útil ao agradável. Que bom que era cantarmos todos bem em 2019. Cantarmos por tudo e por nada. E a qualquer momento. Isto sim é uma resolução de ano novo. A melodia sempre pronta, a voz sempre afinada e uma letra inventada no momento sobre qualquer tema banal. [Já vos disse que gostava de viver num musical?]

3. Viajar mais. O filme sugere [sim senhor, isto é que é uma lista de resoluções à maneira, com sugestões e tudo, para garantir que cumprimos o que prometemos]: Los Angeles e Paris. Mas os destinos desta resolução ficam ao critério de cada um. É ainda sugerido o Sistema Solar [para ver as estrelas mais de perto]. Não quero chocar ninguém, mas é uma daquelas viagens só com bilhete de ida [ótima para quem quer ter um 2019 do outro mundo!].

4. Concretizar um sonho. Vale tudo. Seja em que ano for, esta é daquelas resoluções que não têm prazo de validade. Se têm um sonho e precisam de um empurrãzinho para perceberem que, se permanecer durante muito mais tempo como um sonho, corre o risco de se transformar numa rabanada, [re]vejam este filme. Não basta sonhar, embora seja um bom começo. Tudo o resto depende de nós. De que estás à espera para mudares a geografia dos teus sonhos? Se fizeres por isso, em 2019, o teu La La Land pode ser o teu Cá Cá Land.

5. Prestar mais atenção à saúde. E aqui o filme faz esse alerta de uma forma muito peculiar. Bem sabemos que escolher para protagonista o Ryan Gosling já é, por si só, um teste à nossa resistência. Acrescentar a isso uma história de amor repleta de clichés que [na verdade] adoramos e não sabemos viver sem, não é, propriamente, muito aconselhável para cardíacos. Eu nem sou de intrigas, mas La La Land é um lembrete para realizarmos um exame ao coração [e todos os exames que queremos sempre adiar]. Diria que é a cereja no topo do bolo, no entanto, e porque vamos ser muito saudáveis em 2019, é melhor corrigir para: é o fruto vermelho congelado no topo da papa de aveia.

 

Não há como negar: La La Land está para o ano novo como o Sozinho em Casa está para o natal. Se ainda for a tempo [e tendo em conta que já é dia 7 de janeiro], quero aproveitar para vos deixar aqui um último desejo para 2019: mesmo quando vos disserem que são os melhores, duvidem e tentem ser ainda mais [lembram-se do que aconteceu nos Oscars em 2017?].

 

Sejam vocês a dar música a 2019,

 

Carol

 

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02.Jan.19

Carta para quem começa 2019 a estudar

[texto publicado no site Uniarea]

 

Caro/a colega,

 

Esta carta é para ti, que começas 2019 na universidade, a fazer exames. Quero que saibas que não estás sozinho/a nesta luta. Como tu, estou eu e outros tantos milhares de estudantes universitários. Compreendo bem o que sentes. É como se uma parte do ano 2018 nos perseguisse e não nos deixasse entrar por completo em 2019. Enquanto os outros, aqueles que desconhecem a sua sorte e se queixam por já terem esgotado todos filmes e séries que tinham para ver, faziam planos para a PDA [passagem de ano], nós planeávamos o PSDA [plano de sobrevivência do ano]. Quando o grande dilema deles era escolher o que vestir na noite do Réveillon, o nosso era o que estudar. 

Mas tudo começou antes. Quando nos mentiram e disseram que estávamos "de férias". Uma parte de nós [aquela que ativa rapidamente o modo "lazer"] acreditou. Até guardámos os apontamentos e as sebentas, não fossemos olhar para eles por engano [e ativássemos a outra parte de nós responsável pelo modo "cheios de peso na consciência"]. Tudo parecia normal até percebermos que afinal, bem feitas as contas [e graças a todas as festividades que há pelo meio], resta-nos uma semana para estudar para meia dúzia de disciplinas e [como se não bastasse] para fazer e entregar outra meia dúzia de trabalhos.

Não se faz. Também merecemos ter Natal e passá-lo sem ter sentimento de culpa [por acharmos que, em vez de estarmos a empanturrar-nos em doces, devíamos estar a devorar a matéria que ignorámos durante todo o semestre]. Ainda te recordas de teres prometido a ti mesmo/a que ias "dar tudo" nos exames finais? Eu acho que foi uma promessa feita em sonhos [e comida no Natal]. É que, de repente, até ver o Sozinho em Casa [o mesmo filme que já viste 13764 vezes] tem mais interesse do que estudar para aquela que era a tua disciplina preferida. Para ajudar, ainda nos dizem que o nosso espírito natalício já não é o que era. Pois claro que não. Quando todos pedem uma prenda ao Pai Natal, nós só pedimos um milagre no dia do exame. 

E, sejamos sinceros, é humanamente impossível estudar nesta altura do ano. Primeiro, na inocência de que temos muito tempo, corremos para um shopping [no qual passaremos quase um dia inteiro] porque não queremos ser socialmente rejeitados pelos nossos amigos e familiares e, por isso, decidimos comprar presentes para todos eles. Depois temos de pôr em dia os encontros com aquelas pessoas que não víamos há meses. Quando damos por nós "ups, já é dia 23! É melhor começar a estudar qualquer coisita para amanhã não me sentir mal". O amanhã chega num abrir e fechar de olhos: "na véspera de Natal ninguém estuda, mesmo que esteja o dia inteiro sem nada para fazer. Agora faço uma pausa e retomo o estudo no dia 26". Escusado será dizer que a manhã desse dia é passada na cama [porque comer também cansa e a pessoa necessita de umas horas a mais de descanso]. A seguir, surge o pânico. Tentamos estudar tudo e mais alguma coisa até dia 30 porque a partir daí [como é óbvio] há uma desistência até dia 2, o dia em que tomamos consciência de que começámos 2019 a mentir a nós próprios. No fundo, só temos um desejo: que 2020 chegue depressa. 

 

Boa sorte, colega! Estamos juntos!

 

[Se eu deveria estar a estudar enquanto escrevo esta carta? Quer-me parecer que estamos os dois a fazer "uma pausa"].

 

Carol

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