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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

24.Set.18

This is Us - Os meus episódios preferidos

[Este post NÃO CONTÉM SPOILERS. Talvez alguns. Nada que não saibas se já pertences à família Pearson.]

 

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Escreve-vos a pessoa mais feliz deste mundo porque [adivinhem!] esta semana começa a terceira temporada de This is Us. Não me quero estar a repetir, tendo em conta que já aqui escrevi um post com a minha opinião sobre a série. E nada mudou desde então [sorry not sorry]. Se vocês não sabem do que estou a falar, se não viram sequer o trailer, sem ofensa, mas são um ovo podre [daqueles mesmooooo podres]. Dou-vos uma nova oportunidade e garanto-vos que, depois de começarem, a vossa vida não mais será a mesma. E a vossa procura pelo Jack na vida real será incessante [boa sorte com isso!]. Estou entusiasmadíssima com esta nova temporada [não se nota nada, pois não?]. O último episódio, a minutos de terminar, deixou tantas perguntas por responder. A partir de amanhã, dia 25, estão garantidos episódios surpreendentes com passado, presente e futuro. E se há coisa que This is Us faz bem é surpreender, por isso, numa escala de 0 a morte-do-Jack não sei quão preparada estou para o que aí vem. 

 

 

Sobre a terceira temporada podemos falar depois. Já vi [e revi] as duas temporadas vezes suficientes para saber alguns diálogos de cor [se isto não é amor, não sei o que será]. Há episódios que me tocam particularmente e que sou capaz de ver sem nunca me cansar. Às vezes, uma cena é o que basta para ficar a adorar o episódio. Deste modo [e apesar de achar que era capaz de fazer uma lista sobre o porquê de cada episódio ter algo que adoro], vou tentar concentrar-me e eleger [justificadamente] aquelas que são os meus 6 episódios preferidos de This is Us. Não há um episódio que não transmita mensagens com significados pertinentes até para o nosso dia-a-dia. Há uma reflexão inevitável e as perguntas surgem mais depressa do que as respostas que conseguimos encontrar.

 

"The Pool" [ep.4, 1ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

Há vários momentos que fazem deste episódio um dos meus preferidos, principalmente as questões que levanta. Vivemos numa sociedade que, apesar de todos os progressos, ainda julga os outros pelo seu tom de pele. Classificamos o estrato social das pessoas por serem de raça negra, sem antes pensarmos que são pessoas como qualquer um de nós. O tom de pele não é [pelo menos não devia ser] impedimento para o sucesso.  Randall, uma criança de raça negra que é adotada por uma família de raça branca, não tem direito a querer perceber como seria a sua vida se pertencesse a uma família da sua raça? Damos uma importância desmedida à aparência física uns dos outros sem nos apercebermos de aquilo que deve ser realmente o nosso foco. Por outro lado, concentramo-nos tanto naquilo que definimos como correto e errado que ignoramos, por mero orgulho, aquilo que os outros nos podem ensinar. O que é preciso para começarmos do zero se não a coragem de arriscar? Só reconhecemos a nossa zona de conforto quando pisamos um lugar que nos é tudo menos confortável. E, a maior das questões, será que o Randall precisa mesmo de utilizar protetor solar, tendo em conta o seu tom de pele? Este episódio é só genial.

« Sou um homem negro forte que teve sucesso. Eu e a minha mulher pensamos muito na forma como educamos as nossas filhas, acredite. O facto de a minha filha não achar estranho fazer de Branca de Neve... Bom, a ideia é mesmo essa. Certo? »

Randall Pearson

 

"Pilgrim Rick" [ep.8, 1ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

Não há como passar por este episódio sem querer vê-lo novamente. Tudo se passa no Dia de Ação de Graças entre o passado e o presente. Os nossos dias são feitos de rotinas, criamos tradições para as datas que consideramos importantes e exigimos que se repitam ao longo dos anos. Somos assim em tudo, não é? Gostamos de manter o controlo das situações, de planear e de não alterar nada. Mas que significado tem a tradição quando deixa de fazer sentido? A essência das rotinas que criamos está na naturalidade com que as vivemos e não no esforço a que nos propomos para as cumprir. Este Dia de Ação de Graças vai mudar muita coisa na vida da família Pearson. Um segredo, uma mentira e traumas do passado. Há nas cenas deste episódio uma intensidade que representa o verdadeiro significado de família.

« - Qual é a sensação de estar a morrer?

- Sinto... que todos estes lindos pedaços de vida voam à minha volta enquanto eu tento apanhá-los. Quando a minha neta adormece no meu colo, tento captar a sensação da respiração dela contra mim. E, quando faço o meu filho rir, tento captar o som do riso dele e o modo como ele ascende do peito. Mas agora, esses pedaços movem-se mais depressa e eu não consigo apanhá-los todos. Consigo senti-los escapar por entre os dedos. E, brevemente, a respiração da minha neta e o riso do meu filho serão... nada. Sei que sentes que tens todo o tempo do mundo, mas não tens. Assim, não sejas tão indiferente. Capta os momentos da tua vida. Capta-os rapidamente, enquanto és jovem, pois, quando deres por isso, estarás velha e vagarosa. E não haverá mais momentos para apanhares. »

William Hill

 

"The Fifth Wheel" [ep.11, 2ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

Chamo-lhe "episódio irónico". E com um sentido de humor particularmente apurado. A aceção da palavra família parte, precisamente, do pressuposto de que todas são diferentes. Isso é um facto. Mas há certas características que poderiam tornar as famílias todas iguais: ninguém olha para o passado do mesmo ponto de vista. E, não me querendo alongar muito mais, há uma cena hilariante neste episódio que só comprova como ninguém olha exatamente da mesma forma para o mesmo momento. Há ainda a perspetiva de quem, estando por perto, assiste de fora. Falar é sempre mais fácil quando a situação não nos diz respeito. A vida é uma questão de perspetiva. E o que não falta por aí são vidas partilhadas, vividas a partir de diferentes ângulos.

« Têm 17 anos de recordações, só isso. Nunca mais terão recordações novas. Por isso, não. Não me sentei com eles para ilustrar as recordações do pai deles, falando sobre a única coisa nele que não era perfeita. »

 Rebbeca Pearson

 

[Imagens IMDB]

 

"That'll Be The Day" [ep.13, 2ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

Como acontece em toda a série, de maneira brilhante, este episódio consegue enganar-nos até ao último momento. Achamos que sabemos o que vai acontecer, que não há volta a dar e depois somos inacreditavelmente surpreendidos por algo que não esperávamos. Os sonhos que nos são destruídos, as palavras de incentivo que muitas vezes precisamos de ouvir e ter em consideração. Sabermos acreditar em nós mesmos e reconhecermos o valor que temos, até quando a vida nos impede de fazer o que achávamos ser o nosso maior talento. A incrível capacidade com que nos culpamos para, de alguma forma, nos castigarmos, obrigando-nos a viver perseguidos por situações do passado. É um episódio especial. Dá a continuidade para os outros dois [que também estão nesta lista]. É fundamental sabermos ultrapassar porque só assim conseguiremos seguir em frente.  

« Não pares de tentar fazer com que eu me veja da maneira como tu me vês. »

Kate Pearson

 

"Super Bowl Sunday" [ep.14, 2ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

Este episódio representa um fim. O fim que todos esperávamos [mas não queríamos] ver. Tinha muitas expectativas [como aliás todas as pessoas tinham] e era, exatamente por isso, muito fácil não gostar particularmente deste episódio. Todavia, tudo está tão pensado ao pormenor que não há nada que seja óbvio. Interpretações estupendas, uma realização e escrita incríveis. Não há só drama, apesar da grande tragédia que é ter um fim como o de Jack. É nessa forma inteligente da construção desta história que está o segredo do sucesso. Este episódio é aquele porque todos esperávamos e [claro está] quando achávamos que o que se seguia era previsível, deparamo-nos com uma sucessão de acontecimentos muito diferente. E os fins não são sempre marcados por essa imprevisibilidade característica? 

« (...) todos os anos, no meu dia mais triste, o teu pai arranja maneira de me enviar um sinal que me faz rir desalmadamente. (...) Não sei, talvez eu só veja o que quero ver ou o que preciso de ver. »

Rebbeca Pearson

 

"The Car" [ep.15, 2ª temporada]

[Promo aqui e Sinopse aqui]

O episódio que encontra no fim a possibilidade de novos inícios. Simboliza a despedida de quem parte, mas, acima de tudo, reflete sobre a importância que devemos saber dar aos momentos enquanto as pessoas estão connosco, as histórias que podemos construir e contar juntos. Os objetos também contam histórias, relatam vidas e o valor que damos às "nossas coisas" está precisamente relacionado com os momentos dos quais elas fazem parte. Este episódio fecha um pouco o ciclo dos dois episódios anteriores. Há nestas cenas uma tentativa de ultrapassar todo o drama associado ao passado, a culpa e o peso das memórias. A existência "do" carro e a sua presença em vários momentos chave está extraordinariamente bem pensada.

« Eu não quero comprar um carro usado. O Wagoneer é que é o meu carro de família. Já estou a ver perfeitamente. É robusto, duro... Os Pearsons precisam de um carro duro, pois digo-lhe já que vai haver riscos, amolgadelas, nódoas... Muitas nódoas. Mas não faz mal, pois a cada cicatriz de guerra vai ser outra recordação. E, eventualmente, aquele carro vai contar a história da minha família ao olharmos para ele. »

Jack Pearson

 

 [Imagens IMDB]

 

Tendo em consideração que adoro todos os episódios ou que, pelo menos, há uma cena em cada um que gosto sempre de rever, esta não foi uma lista óbvia ou fácil. Voltarei para falar sobre os episódios que deixei de fora. Estou com as expectativas altas para esta nova temporada. É como se estivesse entusiasmada por saber que uma parte da família, que viajou durante meses, está agora prestes a voltar. Também não teriam saudades de um Jack, um Kevin ou um Randall se estivessem todo este tempo à espera?

E este tornou-se um dos posts que mais gostei de escrever. Sentada no sofá, dividida entre o computador, a televisão e um caderno. Era capaz de me habituar a isto. Venham de lá mais episódios. Porque [só aqui entre nós] acho que esta temporada vai superar todas as expectativas. Uma série que se torna família, tem de ter algo muito especial, não é?

 

Carol

 

21.Set.18

Às páginas tantas [#9]

Acabaram-se as férias de verão. Arrumou-se a pilha de livros que tinha em cima de secretária. A realidade venceu à ficção em que gosto de mergulhar e agora só ponho os pés de molho nas sebentas, sem me aventurar muito nessas águas profundas. Ainda assim, ando secretamente com um livro na mala [não vá proporcionar-se um mergulho], mas mal tenho tempo de o tirar para fora. Não obstante a melancolia com que dei à costa, acabei em grande a minha época balnear com o livro A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata. Mentiria se dissesse que o nome me ficou na cabeça. Na verdade, tudo começou quando vi o filme [que sugeri aqui].

 

 

Se tiverem oportunidade, leiam o livro e vejam o filme [coisa que fiz pela ordem inversa]. Gostei tanto da história, com interpretações e uma realização fantásticas, que soube imediatamente que não podia ficar por ali. O livro é a junção das cartas, e alguns telegramas, trocadas entre as personagens num cenário Pós II Guerra Mundial. É com uma carta [e devido a um livro] que tudo começa. Para quem gosta de literatura, este livro é aliciante [e não desilude]. A História da época é narrada com tanta habilidade que nada nestas páginas se torna maçador, só queremos continuar a ler e a saber sempre mais. Sentimos a fragilidade com que os habitantes da ilha de Guernsey viveram durante tempos difíceis e de total impotência. A guerra, o sofrimento, o medo, o humor, a ironia, o amor e a amizade estão lá, em cada carta, em cada personagem. Mas também há esperança, essa a crença nos dias que virão, que serão melhores, que será possível viver sem receio. Porque, mesmo nas situações mais desesperantes, em que nem sequer temos controlo sobre o que nos pertence, haverá alguém, alguma coisa, algum abrigo. As pessoas unem-se quando vivem, ou sobrevivem, oprimidos por uma guerra que não começaram. Essa é uma das muitas mensagens de Sociedade Literária. Os piores momentos conectam pessoas e, apesar de as fazerem sofrer, mostram-lhes que a vida tem outros sentidos para além daquele que definimos como o nosso. Há muito poder em saber partilhar e dar de nós para que os outros também sintam que podem dar de si. Recomeçar, ainda que não dependa apenas de nós, parte da atitude que colocamos em tudo o que fazemos para não ficar presos ao passado.

 

« A nossa noite de sexta-feira no clube do livro tornou-se um refúgio para nós. Uma liberdade privada para sentir o mundo a ficar mais escuro à nossa volta, mas é preciso apenas uma vela para ver novos mundos revelarem-se. Isso foi o que encontrámos na nossa Sociedade. » 

 

Na Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, um porco e uma tarte [de casca de batata] uniram pessoas que não mais se separaram. O rumo das vidas ficou alterado para sempre. A guerra mostrou-se diferente porque a solução esteve nos laços que se criaram, nos livros que se leram, nas cartas que se trocaram e nas gargalhadas que se partilharam. E, sim, os livros conectam pessoas, criam amizades e escrevem histórias de amor. Mesmo nestas circunstâncias, o inimigo não é necessariamente quem [e como] nos disseram que era.

 

 

Escrito sob uma ótica positiva e bem humorada, esta história tornou-se numa das minhas preferidas e está arrumada nas prateleiras mais perto do coração de uma leitora que só exige páginas bem preenchidas. Não é só mais um romance sobre a II Guerra, nem um drama sobre os resquícios que dela ficaram. É tão mais do que isso. Sendo ainda o amor à escrita, aos livros, aos serões bem passados, àqueles de quem só ficou a memória, àqueles que sobreviveram e aos que surgiram depois, mas nunca tarde demais. O filme complementa o livro, não sendo tão detalhado nem seguindo à regra todas as cartas. É tão bonito e vê-se tão bem que eu não me canso de revê-lo e tentar imaginar o que aconteceu depois. 

 

Às páginas tantas, a nossa melhor companhia, nas situações mais difíceis, pode estar num livro e revelar-se a nossa salvação. Os livros transportam tanto para lá de palavras [espero que um dia todos consigam entender isto]. 

 

Carol

 

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[para verem as minhas sugestões de leitura anteriores basta clicarem aqui!]

17.Set.18

TAG - Sunshine Blogger Award [#2]

Hoje regresso com uma TAG repetida [respondi pela primeira vez aqui]. Como já se passaram alguns meses e as perguntas são sempre diferentes, aqui estou eu novamente. Desta vez, venho aceitar o desafio da Maria [muito obrigada pela nomeação!]. As regras são simples: responder às perguntas que me foram colocadas, nomear outros 11 blogs para responderem a 11 perguntas feitas por mim [que poderão encontrar no final do post], agradecer a quem fez a nomeação, incluir as regras e o logótipo no post. 

 

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Desafio aceite, só me resta deitar mãos à obra:

 

1. Tens alguma amizade de infância/escola que seja mesmo das boas? Se sim, como ultrapassaram a barreira dos anos?

Só saí da escola há três anos pelo que a maioria das amizades que tenho nasceram entre as salas de aula e o pátio. Conheci os meus melhores amigos [aqueles mesmo dos bons!] na escola. E creio que é aí que se criam amizades capazes de resistirem ao tempo [assim espero]. A experiência que tenho é relativa, mas mantenho a relação com a minha melhor amiga há quase dez anos. Quantas mensagens no MSN, ainda com aqueles bonecos numa tentativa de serem emojis, e videochamadas no Skype, com o áudio a não corresponder à imagem. Bons tempos. Apesar de reconhecer que os materiais estão sempre à disposição, acredito que a barreira do tempo é construída pelas pessoas. Há sempre maneira de manter uma amizade se, em vez de nos preocuparmos com o tempo ou a distância, dermos mais importância à construção de laços fortes. Márcia, como assim acabo de receber uma mensagem tua no whatsapp? [Esta coisa da telepatia é tramada!] Dou muito valor às amizades que tenho e cada vez mais percebo que não são preciso muitas, apenas as necessárias - essas mesmo das boas [são as que dão mais trabalho, mas que nunca nos falham!]. 

2. Se tivesses uma bola de cristal para saber do teu futuro qual a pergunta que mais te interessava fazer?

Pensar no futuro faz-me ficar ansiosa. Penso logo que gostava de saber um milhão de coisas, mas logo a seguir percebo a pressão que isso faria sobre mim. Como será o meu futuro profissional? Quantos filhos terei? Como estará a minha família? Como estarão todos os meus amigos? Onde viverei? São tudo perguntas que gostava de colocar perante uma bola de cristal. Porém, há uma que não interferiria assim tanto com o meu presente e acho que não me importava de arriscar: serei uma avó que teve instagram, acesso aos vídeos do youtube, calças rasgadas e que, em cada frase, diz a palavra 'bué' bué vezes?

3. Porque é que alguém te deve um pedido de desculpas?

Esta é profunda e só consigo lê-la com a voz do Daniel Oliveira. Tenho uma memória péssima e não me consigo lembrar se alguém me deve um pedido de desculpas, por isso, acho que não tenho de me preocupar. Talvez aceitasse um pedido de desculpas da minha amiga Catarina, que foi a Miami e não me levou [mas como me enviou um postal, está pseudo-desculpada!].

4. Davas um rim por quem?

Isso é uma situação que, felizmente, nem consigo sequer imaginar. Ainda assim, daria um rim [ou o que quer que fosse] por qualquer um dos meus familiares próximos, as pessoas que me têm dado tudo desde sempre. 

5. O que te faz gostar de um blog?

O aspeto visual é muito importante e um ponto a favor se tiver um conteúdo interessante, uma escrita honesta e divertida. Gosto de blogs escritos com sentido de humor, uma pitada de ironia e pessoas que se revelam reais mesmo debaixo do manto-do-online. 

6. Tens algum "Eu já..." que te faz corar a alma e que possas partilhar?

Memória péssima, eu avisei... Eu já corei [e a minha alma também] por não me lembrar de alguma coisa que possa partilhar para tornar esta resposta interessante. É válido?

7. Escolhes apontar algo a um amigo ou calas-te com medo de beliscares a amizade?

Depende do amigo, do "algo" e do beliscão. Se houver alguma coisa que me ande a incomodar e não me saia da cabeça, penso [muito] na melhor forma de abordar o assunto. Falar é sempre [e em qualquer ocasião] a melhor maneira de resolver o que quer que seja. Ainda para mais se for com uma pessoa em quem confiamos. Não há nada que uma conversa esclarecedora não resolva. Nem sempre é fácil, e estaria a mentir se o dissesse, mas quem disse que um beliscão de vez em quando não é bom para acordarmos e percebermos as consequências dos nossos atos sobre os outros?

8. Colecionas alguma coisa?

Demasiadas coisas. Tenho dificuldade em separar-me de alguns bens materiais. Não sei se é a minha [incrível] capacidade de criar [e distribuir] significados para tudo e mais alguma coisa. Relógios, livros, revistas, cadernos/blocos de notas, bilhetes de cinema/teatro/concertos e canetas estão no pódio das minhas coleções. A par destes objetos, surgem os sacos, saquinhos, envelopes, embalagens de todas as formas e feitios, recibos e contas de uma refeição que comi há 5 anos. Começo a achar que este tipo de coisas nasce no meu quarto como se eu as tivesse plantado nos lugares mais estranhos. Depois, quando as descubro e pondero deitá-las fora penso "ah, este saquinho, no qual não cabe sequer uma borracha, foi aquele que trouxe daquela viagem que fiz com 3 anos, da qual nem tenho memória, mas tem tanto significado que o melhor é mantê-lo aqui". Não faz sentido. Só isso. 

9. Já estiveste perto da morte?

Que eu tenha conhecimento, não. Quanto muito, apanho um susto ou outro quando me vejo ao espelho depois daqueles dias mesmo desafiantes [na falta de melhor termo], mas nada mais do que isso. 

10. O que é que ficou por dizer a alguém que talvez nunca irás dizer?

É possível que tenha querido convidar a malta para ir ao cinema ver um filme que afinal já não estava em exibição. Ficou por dizer e também não é assunto em que volte a tocar. 

11. Uma situação que te fez rir até ficares com ciscos nos olhos?

Espero nunca ter ficado com ciscos nos olhos porque há na internet um interminável número de tutoriais sobre como os tirar. E, sejamos sinceros, tutoriais do youtube não devem ser seguidos à letra [corre-se um grande risco]. Mas como são boas essas situações de rir até cair para o lado [deve ser mais seguro do que ficar com ciscos]. Prefiro não mencionar uma situação em particular, seria injusto da minha parte. Mencionaria os nomes de todos aqueles com quem partilho esses momentos, se não me conhecesse e soubesse que me iria esquecer de algum [e aí seria rir para não chorar]. Prefiro deixar o meu agradecimento. A todos eles, obrigada por termos sempre rido tanto e, ainda assim, sobrevivido aos ciscos nos olhos [acho estou a ficar traumatizada!]. 

 

Feito. O que me divirto a responder a estas TAGS. Aceito sempre as nomeações [no caso de não serem repetidas], por isso não hesitem. Agora, deixo as minhas 11 perguntas:

1. Que tema de conversa, por algum motivo, te deixa desconfortável?

2. Qual foi a frase mais divertida [e irreal] que leste na descrição de uma foto de instagram?

3. Mesmo que não tivesses jeito nenhum, passavam-te uma máquina fotográfica profissional para as mãos e só tinhas oportunidade de tirar uma fotografia. Quem ou o quê escolherias fotografar? E porquê?

4. Hoje, agora mesmo, no preciso momento em que estás a ler esta pergunta, tinhas de escolher alguém [entre todas as pessoas deste mundo e do outro] para levar a jantar à restauração de um shopping. Quem levarias e quem, definitivamente, não gostarias de encontrar? [Já agora, porquê essa escolha?]

5. Que parte da letra de uma música não te sai da cabeça ultimamente?

6. Se estivesses num ambiente profissional [escola, universidade, trabalho...] e tivesses a oportunidade de apagar 15 minutos da memória das pessoas que estão contigo nesse momento, o que farias ou dirias para testar as suas reações, sabendo que depois ninguém se lembraria de nada?

7. Qual foi a última mensagem que recebeste?

8. Consegues escolher uma cor e um objeto [não necessariamente associados] que representem a tua infância?

9. Há algum post que gostavas de partilhar no blog, mas ainda não o fizeste? Se sim, porque estás a adiar?

10. Existe alguma questão que não te saia da cabeça, algo em que não consigas para de pensar?

11. Se tivesses de escolher um livro/filme/série para outra pessoa ler/ver [do início ao fim, obrigatoriamente], qual escolherias e porquê?

 

Ficaria muito contente se A Desconhecida, Gato de Loiça, Rapaz SecretoCarlota e Just Smile aceitassem o desafio [ninguém repara que estou a infringir as regras ao nomear 5 blogs que valem por 11!]. Posso contar convosco?

 

Carol

14.Set.18

Reflexos de sonhos roubados

Fazia planos para tudo. Sempre fez. Organizava os brinquedos em filas, colocava em primeiro lugar os carros com que queria brincar, depois o papel e os lápis com que o iria pintar, e, por fim, a bola com que jogaria. Seguiu-se a entrada para a escola, os primeiros horários de verdade. Havia sempre alguém que lhe organizava os dias: horas para o pequeno-almoço, a roupa escolhida com detalhe, a saída de casa com a mochila devidamente preparada, os dias entre a sala de aula e o recreio, as saídas, os percursos de carro ou a pé, de acordo com quem o ia buscar, as idas ao futebol, os banhos no balneário partilhado e os jantares sempre prontos no seu regresso a casa. Era disto que mais se recordava agora que se observava ao espelho e procurava o menino que, em tempos, acreditara que a vida podia ser escrita numa agenda, cumpridora de prazos, detentora de horários e sem vontade própria. Acreditara nisso até perceber que, por estar escrito num papel ou metodicamente memorizado num cérebro demasiado ocupado, não se concretizava tal e qual era suposto. Esse poder da suposição e a sua consequente concretização duraram quase até ele deixar os brinquedos e passar a dedicar-se àquilo que, segundo lhe diziam, eram os seus sonhos.

Sorriu para o espelho como se aquela mudança de expressão o ajudasse a encontrar a criança das suas memórias. Estava ali, de facto. Quase meio século depois. Já não ia ao futebol, nem chegava a casa esfomeado e exausto, encontrando conforto numa taça quente de sopa. Foram os sonhos. Pelo simples ato de sonhar, havia nas pessoas uma relativa perda de capacidade de fazer planos. Dissera-o, uma única vez, num jantar de amigos. Todos discordaram, afirmando que os sonhos se concretizavam porque delineamos o caminho que terá de ser percorrido. Ele discordava. Nunca fizera um caminho sem fazer desvios. E os desvios são perigosos porque podem mostrar-nos novos percursos, novos destinos ou até novas rotas para os mesmos fins. Ele não aceitara a possibilidade de ver um sonho ser alterado com a possibilidade de um sonho novo. Isso seria uma substituição lamentável. E há caminhos longos, não há? Por isso, foi mais fácil traçar planos para uma na qual vida, sabia-o, não teria oportunidade de sonhar. Seria demasiado arriscado lançar-se no meio do oceano sem saber para onde velejar o barco. Percebia agora a diversão que isso poderia representar.

Fazia planos para tudo. Sempre fez. Todavia, nunca se permitira sonhar. Acreditava que eram atos incompatíveis. Escolhera não gostar de surpresas. Até compreender que não tinha valido o esforço. Ou não estaria há meia hora em frente a um espelho, a última coisa daquela casa que lhe faltava embalar e juntar ao resto da mobília. Faria diferente agora. Teria quebrado as regras. Depois da sopa, teria ignorado a vontade de dormir e correria para o jardim. Brincaria mais uma hora, ou duas, ou até adormecer na relva. Quem lhe dera ter percebido mais cedo que não lhe fora permitido sonhar. Fora-lhe roubado esse dom. Em vez disso, acreditara que sonhar não era possível quando o corpo se prende e nos prende a uma cadeira de rodas. Observou-se novamente, à espera de ver para além. Levaria aquele espelho para onde quer que fosse. Naquele reflexo, conseguia imaginar alguém que nunca jogara futebol, nem brincara com carrinhos, nem andava a pé, a fazê-lo. Poderia ter sonhado e planeado os seus sonhos, se tivesse reparado neles mais cedo, se se tivesse visto mais vezes. 

 

Fazia planos para tudo. Sempre fez. Quando, na verdade, não fora capaz de se debruçar sobre o grande plano da sua vida: ele próprio. Estava na altura de tornar aquele reflexo em algo real. Tal como, ouve ele dizer, acontece com os sonhos. E ele tinha planos para isso.

 

Carol

 

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10.Set.18

4 Coisas que Não Podes Levar Para a Universidade

O início de mais um ano letivo está aí à porta. Para quem ainda não começou as aulas [que não é o meu caso], estes últimos dias são fundamentais para dar valor às férias e a tudo o que podias ter feito e não fizeste. Nesta altura, existe em ti uma sensação de que poderias ter aproveitado mais [too late!]. Agora, resta mentalizares-te da realidade pura e dura. E, sejamos sinceros, há coisas bem piores, por isso não te queixes. Até porque o regresso tem sempre aspetos positivos [como, por exemplo, perceberes como é bom estar de férias]. Hoje escrevo para ti, que estás a começar [ou a recomeçar] a vida universitária. A experiência, ainda que curta, já me ensinou algumas coisas. Então, em jeito de conselho, achei que as devia partilhar contigo.

Há uma ano partilhei por aqui dicas sobre "Como Sobreviver ao Primeiro Ano na Faculdade" e, entretanto, também por aqui deixei "6 Tipos de Alunos que Encontras na Universidade". Deste modo, diretamente de uma universitária a iniciar o terceiro ano de licenciatura para outro/a universitário/a que está agora a começar [ou não], partilho contigo 4 Coisas que Não Podes Levar Para a Universidade:

 

- Medo. Ou insegurança. É muito importante que te sintas confiante e seguro/a. Tudo será novidade, tudo será diferente daquilo a que estavas habituado. Mas isso não faz da universidade um bicho de sete cabeças que ninguém consegue enfrentar. É possível que não te sintas, imediatamente, confortável ou familiarizado/a. Em todas as mudanças é assim, certo? Dá tempo ao tempo e não te retraias só porque não conheces o ambiente. Se aquela foi a tua escolha, se tu queres estar ali, se queres que aquele seja mais um passo para o futuro com que sonhas, tudo vai acabar por fazer sentido. Se não estás tão certo/a da decisão que tomaste, não faças disso um problema, nem desistas sem perceber se afinal "aquilo" até é algo que gostas. Existem outras soluções se perceberes que não queres que aquele seja o teu caminho. Arrisca sem medos. Esforça-te para afastar as inseguranças que te perseguem. E, não te esqueças, a confusão que sentes também é sentida por aqueles que te rodeiam, não estás sozinho/a nesta fase.

- Expectativas. Pelo menos, não leves expectativas demasiado altas. A universidade é um mundo novo para quem acaba de sair da escola. Está longe de ser perfeita ou de ter de corresponder a uma das fases mais felizes da tua vida. Tens muito pela frente. Nem tudo vai correr sempre bem, não vais saber tudo desde o primeiro dia, não vais ter sempre a certeza de que aquela é a decisão certa. A universidade vai ajudar-te em muita coisa, mas também te vai dificultar o trabalho. Vais ter de te esforçar muito, não é bem como nos filmes, em que os alunos estão sempre nos bares, na cantina ou em festas. O melhor que podes fazer é não criar [muitas] expectativas e deixares que esta mudança te surpreenda. A tua vida dá uma volta de 180º e, se deixares que o tempo te revele a essência da universidade sem que sejas tu a criá-la segundo aquilo que te disseram, podes ter a certeza que te vais sentir mais surpreendido do que esperavas. Todas as pessoas têm sempre algo a dizer sobre a faculdade. Não dês muitos ouvidos a isso, permite que os teus olhos tirem as suas próprias conclusões.

- Preguiça. E com isto não falo do animal, mas sim daquela clássica vontade-de-não-fazer-nada. Não só não funciona na universidade como não funcionará no emprego que queres [a não ser que queiras algo que ainda ninguém descobriu]. Se estiveres ligado àquele estado do facebook "trabalho no verão e é para o bronze", é bom que o alteres rapidamente para "numa relação com a universidade", acompanhado por um "a sentir-se motivado/a", seguido da evolução: "a sentir-se produtivo/a", "a sentir-se exausto/a", "a sentir-se sem vida própria", "a deixar de se sentir". Pronto, não é necessariamente assim tão mau. A não ser, claro, que estudes na madrugada antes do teste. Se o fizeres, vais perceber o verdadeiro significado de Missão Impossível [qual James Bond qual quê?!]. Não entres em pânico, mas não relaxes demasiado. Se fores acompanhando aquilo que é dado, consegues cumprir os prazos estabelecidos e manter o estudo em dia. Tens de saber organizar-te desde o princípio [esta é uma regra da qual nunca te podes esquecer]. 

- Superioridade. Não adotes essa postura. Não vás para a universidade a achar que, lá porque estás na área que escolheste e na qual te sentes confortável, sabes tudo. Tens muito para aprender. E uma das coisas que aprenderás logo desde o início é que tens de te predispor a ouvir aqueles que estão lá, com anos de experiência, para te ensinar. A atitude que adotas, e que estará a teu favor se quiseres realmente vingar na área em que estás, é essencial para a tua integração no ambiente universitário. Assim como não deves tentar sobrepor-te a ninguém para alcançar os teus objetivos, não deves permitir que ninguém te tente rebaixar. Há espaço para todos, principalmente para os que se esforçam e são honestos. Tenta manter esse pensamento sempre presente. As injustiças vão existir, mas tu vais acabar por saber como resolvê-las se fores uma pessoa correta e responsável, capaz de atingir as suas metas sem interferir nas dos outros. Aceita quem te quer ajudar e faz o mesmo por quem precisar desse auxílio. E repara que estarás sempre a aprender. 

 

Estes são os conselhos mais sinceros que te posso dar. Alguém se lembra de mais alguma coisa que não se possa levar para uma universidade? 

Se estás agora a começar [ou a recomeçar], boa sorte! Que não te falte o trabalho [de certeza que não será esse o caso] e a diversão [deixa-a aparecer, à tua maneira, sempre que estás no lugar certo]. 

 

Carol

 

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07.Set.18

Às páginas tantas [#8]

Assisti ao filme Guia Para Um Final Feliz antes de ler o livro que lhe deu origem. Apesar da sua estreia ter sido em 2012, descobri-o há uns meses na televisão e no entretanto já perdi a conta às vezes que o vi [e revi, sem nunca me fartar]. Fez parte de uma das sugestões que partilhei aqui, por se ter tornado num dos meus filmes preferidos. Na altura, lembro-me de ter recebido um comentário a dizer que o livro era muito melhor. Por norma, acho os livros sempre melhores do que os filmes, devido a todos os detalhes que a escrita permite e que não têm lugar na duração limitada de uma obra cinematográfica. Se gosto tanto do filme, só poderei adorar o livro, pensei para comigo. 

 

 

Assim, Guia Para Um Final Feliz foi um dos primeiros livros que li nestas férias de verão. Muito sucintamente, a história baseia-se na vida de Pat após a sua saída de uma instituição psiquiátrica, no seu regresso a casa e, consequentemente, à relação com a família, ao passado esquecido e, principalmente, à obsessão pela ex-mulher, Nikki. Para o protagonista, tudo aquilo é, supostamente, um regresso à normalidade. Algo que esta narrativa pouco tem. Contada na primeira pessoa pelo próprio, deparamo-nos com a fixação de Pat em contactar Nikki vincada em todos os seus atos. Divertida, dramática, louca e, notavelmente, bem contada, esta história faz-nos acreditar que o normal não existe ou que o ser-se normal não significa nada quando a vida nos troca as voltas. É a viver dentro da sua loucura, num mundo louco o suficiente, que Pat encontrará o seu caminho. Dele farão parte memórias aterradoras, corridas dentro de sacos do lixo, comprimidos de cores variadas, nuvens e a problemática Tiffany, que consegue revirar ainda mais os dias de Pat. É um livro, literalmente, delirante. De repente, estamos na cabeça de um homem que vive sofregamente com [e para] uma obsessão. Partilhamos os seus momentos de delírio e, a determinada altura, até compreendemos e apoiamos as suas lógicas infantis. Este foi um dos fatores que me prendeu à leitura.

Percebi imediatamente que o livro e o filme se distanciam bastante. A abordagem é totalmente diferente e a história, partilhando o mesmo ponto de partida, segue rumos distintos. Todavia, o filme continua a ocupar um lugar especial no coração desta espectadora. Para mim, o elenco foi escolhido a dedo e as cenas interpretadas por Bradley Cooper (o obsessivo compulsivo Pat) e Jennifer Lawrence (a louca da Tiffany) são para lá de hilariantes. Guia Para Um Final Feliz valeu aos atores vários prémios, incluindo o Óscar de Melhor Atriz para Jennifer Lawrence. Ainda assim, o livro também tem loucura na dose certa para me fazer querer ler tudo de novo. Conclusão, gosto tanto dos dois formatos que passei a considerar pertencerem a histórias diferentes. E as mensagens transmitidas, essas, quer em livro ou em filme, são para manter por perto para nos lembrarmos que a vida também merece ser vivida com uma boa pitada de insanidade.

 

Às páginas tantas, este é um guia que nos mostra a importância que saber recomeçar tem nos finais felizes [e doidos] que conseguimos construir.

 

Carol

 

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[para verem as minhas sugestões de leitura anteriores basta clicarem aqui!]

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