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Aqui. Sem rede. Com muitas ligações.

Aqui não há wi-fi e a rede móvel é pouca, mas as pessoas conectam-se de outras formas. Aqui as redes sociais ligam-se à sombra de uma árvore ou na mesa de um café local e as partilhas passam por memórias do passado e reencontros no [e do] presente. Aqui os dias recarregam as baterias e viciam-nas na intensidade com que tudo acontece. Aqui a memória nunca está cheia porque há sempre espaço para mais. Aqui tudo acontece em tempo real, até no replay das almas mais nostálgicas e nas pausas a que a vida obriga. Aqui veem-se as estrelas no céu e favoritam-se as noites quentes. Aqui partilham-se histórias e gosta-se de pessoas. Aqui a calma é o melhor filtro para as rotinas que se cumprem devagar. Aqui a vida não se desliga, vive-se vagarosamente, ao ritmo que tem de ser. Aqui o tempo não anda atrás do tempo que se vive fora daqui. Aqui estamos longe de muito, mas perto de tanto. Aqui é diferente porque só assim faz sentido. Aqui as ligações fazem-se sem fios porque os corações não se ligam uns aos outros através de cabos. Aqui não há wi-fi e a rede móvel é pouca, mas as pessoas conectam-se de outras formas.

 

Escrevo daqui. Com a bateria carregada, a memória cheia e outras redes que também fazem falta. Porque é importante irmos desconectando para ficarmos realmente conectados.

 

Carol

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 [conectem-se no facebook e no instagram do blog]

Quando as nossas memórias não cabem na memória do nosso telemóvel

A memória do meu telemóvel está constantemente cheia. Cheia de outras memórias que me dizem mais [muito mais] do que alguns gigas de que preciso para imortalizar um momento. Não é que ache que as memórias só cá ficam se forem registadas, mas há fotografias que pintam com cores nítidas as nossas recordações e as tornam muito mais próximas de nós. O verão enche-nos a alma e [pelo menos a mim] a memória do telemóvel. Por mais que passe tudo o que tenho para o computador, uns dias depois já não tenho espaço para nada. Será assim até ao último pôr-do-sol. Porque gosto de ir guardando [enquanto não sou obrigada a apagar] os sorrisos que ficam, as cores que cobrem os dias longos, as paisagens que se mostram bonitas por estes dias, as pessoas que se vestem [e despem] com as sensações da estação. E há sempre de tudo neste telemóvel. Sempre até a câmara se recusar a captar o verão palpável. O mesmo verão que [nem a melhor fotografia] consegue captar com todas as dimensões. Mas as memórias [a minha e a do meu telemóvel] completam-se. Uma [nunca cheia e sempre com espaço para mais] só quer da outra [aquela que se mede aos gigas] o desenho das histórias mais bonitas que podemos contar a nós próprios. As nossas histórias, com as nossas pessoas, os nossos lugares, as nossas cores. As histórias em banda desenhada que nos chegam ao coração.

 

De memória cheia, mas sempre com espaço para mais,

 

Carol

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[vou partilhando algumas destas memórias que me enchem o telemóvel no instagram e no facebook]

Caminhos que mudam de cor

De malas feitas e bagageira cheia [um clássico] vínhamos preparados para aquele que é o momento [tão esperado no resto do ano] em que escrevemos juntos, durante longos dias, a palavra “férias”. Letra a letra, sem pressa, para que possamos gozar cada traço e acentuar o verdadeiro significado da palavra. Férias em família, o que há melhor do que isso? E vínhamos bem, para bem longe daquilo de que estamos sempre tão perto. Quando, em plena auto estrada, nos vimos rodeados por um imenso manto negro. As árvores que estavam ali e nos viram passar há um ano, já não existem. Eram tantas, enormes e tão verdes. Preenchiam o percurso que sempre fazemos e que [muitas vezes] já nem fazíamos questão de apreciar [damos sempre tudo como garantido, não é?]. Este ano não conseguimos deixar de ficar impressionados. São quilómetros e quilómetros pintados a preto. É realmente impressionante. As chamas destruíram tudo e ainda que tenhamos seguido viagem, o murro no estômago foi inevitável. Seguimos com a bagageira cheia, mas passámos por tantas outras malas que certamente ficaram por fazer. Por tantos lugares onde, este ano, tantas famílias vão acentuar de forma diferente a palavra “férias”.

 

Uma das coisas que mais me impressionou nos últimos dias...

 

Carol

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[o blog também está no facebook, não se esqueçam de passar por lá]

Vou ser uma avó bué cool?

Em conversa com os meus amigos [aquelas conversas que metem ao barulho todo o tipo de assunto a que ninguém consegue ficar em silêncio] questionámo-nos sobre como vamos ser quando formos velhos. Temos 19 anos. Gostamos de pensar muito à frente. Começámos a imaginar-nos com 80 anos. Chegámos à conclusão que vamos ser uns velhos muito avançados para o nosso tempo. E como é que chegámos a esta conclusão? Simples. Quando formos velhos vamos dizer coisas como "ya", "bué", "lol" e outros "estrangeirismos" [uns mais internacionais que outros] no meio das frases, sabemos mexer [com alguma perícia] em telemóveis e computadores [e tudo o que envolva alta tecnologia], podemos [com orgulho] dizer que fomos das primeiras gerações a criar conta no facebook e no instagram e até selfies sabemos tirar. Quem é que não vai querer um avô ou uma avó assim? Portanto [pela lógica da coisa] quando formos velhos vamos estar muito mais à frente do que os nossos netos. E agora vocês perguntam: têm 19 ou 9 anos? Pois. Sabem como é. Foi uma conversa daquelas onde mexemos no relógio. Avançámos os nossos ponteiros e deixámos todos os dos outros exatamente onde estavam. Fizemos a coisa como nos deu mais jeito. Queremos lá nós que haja uma geração mais avançada que a nossa, que nos deixe envelhecer com o tempo, que viva num mundo mais evoluído que aos poucos nos vai calando os "bués", substituindo os smartphones de última geração, atualizando os "facebooks" e os "instagrames" e tirando fotografias que não se limitem a espelhar os nossos próprios rostos. Qual é a geração que não quer ser [para sempre] a geração mais atual [aquela que acha que sabe tudo]? 

 

Por enquanto, gostamos de pensar que daqui a 60 anos ainda andamos cá para as curvas, mesmo sabendo que o mundo há-de decidir seguir em frente. 

 

Carol

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[quero likes de todos os avós no facebook e no instagram do blog]

Um like para o mês de agosto

Agosto, o pico do verão [seja lá o que isso for]. Agosto, também conhecido como o mês em que o número de fotografias partilhadas nas redes sociais aumenta substancialmente [por parte daqueles que estão a gozar umas belas férias, claro]. Nunca fomos tão facilmente inseridos nas férias uns dos outros nem nunca conseguimos estar em tantos lugares ao mesmo tempo como agora. Até aqueles que preferem ficar na toalha [até esses!] são obrigados a molhar os pés nas águas de um mar incrivelmente azul ou na água cheia de cloro da piscina da casa de férias da família Soares. Dividimos a toalha com todos os que 'seguimos' e os que nos 'seguem' [pena que não dê para partilhar tão facilmente uma bola de Berlim]. Ativamos a localização do telemóvel para que não restem dúvidas que a foto não foi retirada da internet e partilhada no conforto do sofá da nossa casa. Escolhemos um filtro que realce o bronze [que muitas vezes não temos] e encolhemos a barriga para disfarçar uma possível gravidez [mesmo que estejamos 'grávidos' de tudo o que comemos durante o resto do ano, ninguém precisa de saber isso em agosto]. Retiramos uma frase daquela música que está sempre a passar na rádio para colocar na legenda da foto e depois é só esperar que chovam likes [a única chuva de que gostamos no verão]. Partilhamos tudo. Especialmente agora. Porque [ao gosto de cada um] agosto é o mês de partilhar as férias com o mundo [que nesta altura está dividido entre as pessoas que estão de férias e as que não estão, no entanto quase se sentem de férias só por ver o calor que circula nas redes]. Mas [por favor] não pensem que por não partilharem as vossas belas férias [que são sempre mais belas nas fotos do que na realidade] os outros vão pensar que não se estão a divertir tanto quanto eles, é que enquanto uns aproveitam mesmo, os outros estão mais preocupados em parecer-que-estão-a-aproveitar. Cada um sabe de si, as redes sociais sabem de todos. Se até agora os flamingos cor-de-rosa e as boias coloridas têm preenchido os vossos ecrãs, então preparem-se porque daqui em diante é que isto vai aquecer. 

 

Sigam-se a vocês mesmos. Deem um grande like nas coisas boas da vida [aquelas que não se partilham].

Que seja um mês feliz,

 

Carol

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[para verem outras coisas para além de praias, piscinas e flamingos, podem passar no facebook e no instagram do blog]

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