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Gostamos de falar um bocadinho [demais]

Falam, falam, falam e não dizem nada [até dizem algumas coisas de vez em quando]. Partilhei um espaço de estudo com três raparigas [e outras pessoas, mas estava mais perto delas]. Quando cheguei e espalhei o meu material de estudo em cima da mesa, elas estavam acompanhadas por dois rapazes, a terminar um trabalho pelo que percebi. Em menos de 10 minutos, eles foram embora e deixaram-nas como queriam: a conversar. Juro que não fiz por estar a ouvir a conversa, mas era inevitável [elas não estavam a falar assim tão baixo e não estávamos assim tão longe]. Queriam ir passear [deviam ser 16h, só para vos situar]. Queriam muito sair, apanhar sol e aproveitar o bom tempo. Queriam ir por ir. Mas não sabiam onde. Estiveram em todos os miradouros de Lisboa e desistiram de todos, passaram pela hipótese de ir à praia e acabaram a fazer pesquisas na Internet. Uma só queria um lugar onde houvesse comida. A outra voltou a insistir com a praia [por momentos acreditei mesmo que fossem dar um mergulho e arrepiei-me, não está assim tanto calor!]. E nunca se calaram. Na falta de sítios para apanhar sol, haviam ideias iluminadas [como a ideia da praia]. E palavras, tantas palavras. De cada vez que [pensava eu] já tinham escolhido onde ir, mudavam de assunto e de sítio. Nada era suficiente. Depois perceberam que os minutos estavam a passar, o que as fez desistir de alguns lugares que estavam nas primeiras opções. E a que tinha fome, continuava a querer ir comer [se bem me lembro, repetiu várias vezes que lhe apetecia um creme de nutela]. A outra continuava a querer ir à praia [mais um arrepio!]. Deram a volta à cidade sem sequer se levantarem das cadeiras. Depois, lá olharam para o relógio. Às 17h [em ponto] levantaram-se sem nenhuma decisão tomada. Devem ter ido a decidir pelo caminho. Fiquei curiosa se conseguiram chegar a alguma conclusão. Se a rapariga conseguiu matar a fome [e a gulodice], já que a praia foi negada por várias vezes a uma das outras. Calada, cansei-me só de as ouvir. E percebi que falamos muito. Nós, mulheres. Os homens também. Mas, a nós, ninguém nos vence. Falamos, falamos, falamos e não dizemos nada [de jeito, às vezes]. Se me convidassem, era capaz de ir com elas. Apanhar sol. E falar [mais um bocadinho]. No fundo, acho que era mesmo só isso que elas queriam. 

 

Fiquei a vê-las ir [provavelmente, cada uma para a sua casa]. E não foram caladas.

 

Carol

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