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it's carol

Um blog sobre tudo. Sobre o que me apetecer. Acima de tudo, sobre o que sou.

28.Jul.17

E nunca nada fica arrumado para sempre

Pergunto-me porque é que guardo determinadas coisas? Como arranjo espaço para guardar tantas caixinhas, caixas e caixotes. Depois [quando já nem me lembro que as guardei] ali estão elas, no mesmo sítio, à espera de um novo lugar [provavelmente, no lixo mais próximo] para darem espaço a outras tantas coisas que na altura da mudança nos parecem [completamente] improprias para habitar um caixote do lixo [é por isso que as deixamos ficar, será?]. A história repete-se. E nunca nada fica arrumado para sempre. Vamos limpando o pó ou afastando o olhar como se isso nos fizesse esquecer que aquele cantinho está mesmo a precisar de uma arrumação. O tempo passa o pano no assunto e torna a desarrumação uma parte fulcral da desarrumação. Até ao dia. O dia em que vem a coragem e o espanador. Umas coisas para o lixo, outras mudam de sítio e outras [só para não quebrar a tradição] permanecem [mesmo sem fazer falta]. Algumas vão ficando. Vão sendo arrumadas e limpas, sem saírem do sítio. E fica a desarrumação na arrumação momentânea. No alívio de pensar que dali em diante é só tirar o pó. Que tudo está arrumado. Mas não é assim. O que traz o pó também traz outras coisas [algumas que, mais tarde, nos esfrega na cara por ficarmos sem perceber porque as guardamos]. As arrumações desarrumam sempre mais do que aquilo que arrumam. E é mesmo assim. A vida arruma-se devagarinho. Umas vezes com uns pozinhos de perlimpimpim outras com uns baldes de água fria. As coisas vão ao lugar [umas vezes ao lugar que escolhemos, outras ao lugar que alguém escolhe]. Propositadamente ou ao acaso, umas ficam, outras saltam diretamente para o caixote. E é nesta desarrumação que nos arrumamos todos. Vamos encontrando coisas inúteis [é verdade], mas quem sabe se não é por elas que nos vamos arrumando?

 

Estive a arrumar umas coisas. Pensei em deixá-las ficar onde estavam e mandar-me a mim para o lixo. Ao menos, não tinham ninguém que as desarrumasse mais! 

 

Carol

 

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